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domingo, 28 de julho de 2013


E a minha vontade é assim
Fugaz
Eterna
De momento
Pra sempre!

Nathalie Palácio

terça-feira, 18 de junho de 2013

Ser


A vontade de largar
Deixar ir embora
Ir embora
Deixar um rastro que se apague ao vento
Inadequada ao que querem
Ah a vontade...
Se a vontade tivesse extremo poder
Seria libertação
Novo motivo de vida
Um novo nome
Nova crença e necessidade
Porque o normal não é capaz de atrair
Repele
Fere meu instinto de apenas ser
Ser simples, feliz, calmaria
Me deixa ser
Me deixa ir pra onde o nascer do sol seja o único motivo
E a lua seja a mais querida expressão do ser humano
Que sou.

Nathalie Palácio

terça-feira, 23 de abril de 2013



...!
Solidão vazia
Cinzas que se espalham
E, sim, nunca mais estarão no mesmo espaço
Partiram
Levaram embora o que eram
E o que poderiam vir a ser.

Nathalie Palácio

domingo, 21 de outubro de 2012

Persona*


Se vá, tristeza

Tudo aquilo que me faz perder o senso de quem sou

Do que quero

Do que espero

É tudo assim... tão comum em mim.



Dúvida, pra quê tanta presença?

Tudo bem uma visita ou outra

Só não vale criar moradia

Dê seu quarto para a certeza

Ela sim costuma ser melhor bem-vinda que você



Frios na barriga, medos bobos e destrutivos

Não preciso de vocês

Reconheço seus valores evolutivos

Mas eu já entendi

Podem ir dormir



Me deixem aqui

Sozinha com meu aprendizado

Minha vontade em ser

Estar e compreender melhor

O que realmente sou.


*Persona, do latim "máscara".

Nathalie Palácio

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Chama



E quando te olho assim
Tão cheio de si
Tão repleto de arte e simplicidade
Como não te amar?
Como ignorar a arte de ser o meu bem-querer?
Minha noite fria, meu amor, meu artista, meu calor...

Nathalie Palácio

terça-feira, 5 de julho de 2011

Brilho



E o fascínio que me causa esse céu
Vezes azul, vezes laranja
Na imensidão imensurável
No amor incalculável colocado em cada raio de sol
De luar
A lua...
Irmã das estrelas.

Nathalie Palácio

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ninfa


Ser mulher é ser alma
Calma no meio da tempestade
Turbilhão que ela própria cria
Nada adia

Cada palavra é dita assim: num sim ou não
E quem ousará dizer que ela errada está?
Quando o que ela mais sabe ser é charme e erro.
Brilho no olhar.

Nathalie Palácio

sábado, 2 de julho de 2011

Pureza



Te vejo nas paredes
Nas entrelinhas do tempo
Frestas tão pequenas contidas em pensamentos.

Pensamentos tão puros
Quem sabe, singelos
Fortes o suficiente pra serem
Seus
Eternos...

Nathalie Palácio

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Uma Esperança chamada Fracasso


Todos querem vencer. Quem aprecia o fracasso? Sorte daqueles que nasceram e foram ensinados a serem vencedores... tristeza para aqueles que não aprenderam a amar-se e, por fim, vencerem.
Se não tivesse o nome que tenho, com certeza, me chamaria Esperança; não por ser demasiadamente esperançosa, mas, sim, por ter sido, desde muito cedo, rotulada como a esperança de uma família. Mais especificamente, a esperança intelectual dela.
Nunca fui um gênio. Longe disso. Entretanto, minhas habilidades destacaram-se desde muito cedo, o que hoje não sei se foi ruim ou bom. Não que pudessem me comparar com pessoas superdotadas, mas eu era, enfim, uma criança inteligente.
Quando digo que certas facilidades de aprendizado podem não terem sido benéficas, tenho motivos suficientemente convincentes pra assim crer. De forma alguma reclamo de tê-las, porém talvez eu fosse um pouco mais feliz sem elas.
Na verdade, não tenho certeza se tem a ver com inteligência... talvez, tenha a ver com pensar!
Pensar sempre foi um dos meus maiores e melhores verbos... fui e sou capaz de pensar sobre tudo em um só segundo e, também, argumentar sobre esse tudo de formas impensadas, com o perdão da palavra.
Aqui começa o sofrimento.
A transformação.
Pensar, apesar de ocupar um tempo imenso do meu dia, ocupa um espaço ainda maior dentro de mim. Todos os argumentos que um dia fizeram-me sentir superior a alguns, tornou-se inquietação e vontade de ser mais... normal. Não que não seja... sou mais normal do que imaginam, somente é inegável que um tanto de mim é alheio e, extremamente, perturbador.
E se um dia me senti superior, a vida me fez aprender: não o sou!
Existe um texto feito para pessoas que, constantemente, sentem-se como se estivessem “perdendo a festa”! Todos parecem tão bem, felizes, promissores... e nós... quem somos nós? Onde está toda aquela animação e oportunidades que o restante faz questão de promover aos quatro cantos?
Não vejo festa. Não vejo luzes, muito menos honrarias... mas a vontade em tê-las persiste.
Eu era esperança. E sei que pra muitos continuo sendo, porém, algumas vezes, sinto que fracassei. Tenho inveja. Perturbo-me ao ver que não cheguei aonde queria... e como tudo isso é disfarçado de definitivo enquanto tudo pode mudar em um segundo? Aquele mesmo segundo que eu uso pra pensar e divagar sobre tudo... tudo, nada... ainda é tudo pra mim.
Apesar de toda essa insatisfação que faz questão de aparecer, vez ou outra, de uma coisa eu sei: eu venci! Aliás, tenho vencido.
E aqui temos mais uma característica minha: a contraditoriedade.
Como posso ser fracasso e ao mesmo tempo vitória?
Nada me classificaria tão bem.
Eu fracassei nos primeiros planos que fizeram pra mim... os intrusos... ao passo que venci nos desafios que a vida colocou na minha frente.
Abri mão de muitas coisas em busca de partículas menos efêmeras. Sofro calada com sonhos perdidos e obrigo-me a formular outros, porque eu quero ser esperança. Não a esperança previamente formulada por estranhos ou qualquer outra pessoa que julgue me conhecer o bastante pra palpitar... quero ser a esperança dos meus sonhos. Os mais bem acalentados que alguém pode ter... sonhos arruinados e ressurgidos das cinzas como Fênix do abstrato.
Quero fazer as pazes com minha mente, pra assim, voltar a ser amiga sentimental de mim mesma.
Fazer dos meus “pseudo-fracassos”, matéria-prima pra realizações perfeitas.
A esperança mostra sua face novamente. E não mais se esconderá em maus pensamentos. Será regente da minha orquestra preferida. Será a tinta da caneta da minha história.

Nathalie Palácio

domingo, 27 de março de 2011

Inveja


Você é um invejoso?
Duvido que não seja!
Existem coisas na vida que tentamos, ao máximo, esconder.
Num primeiro encontro, queremos parecer que somos as pessoas mais perfeitas já criadas.
Na faculdade, queremos ser o aluno das notas altas e o elogiado dos professores.
Em casa, queremos ser o filho que a mãe elogia pra vizinha e o vizinho que a vizinha elogia pra outros vizinhos.
Queremos ser perfeitos.
Ou seja, queremos o impossível!
Para a inveja é a mesma coisa.
Desde sempre, o conceito de inveja foi subordinado a um sentimento restrito à pessoas sem caráter. A velha história de que pra ser bom, só devo demonstrar coisas boas, e todos os podres devem ficar escondidos em alguma gaveta do guarda-roupas, de preferência na última, debaixo de um monte de roupas de cama.
E isso não acontece só com a inveja. Isso se repete quanto ao ciúmes, ao medo, à raiva e todos aqueles sentimentos que nossos pais nos ensinam a nunca manifestar, porque senão mostrará que somos más pessoas. Aprendemos desde cedo a escondermos quem somos, ao invés de aprendermos que somos assim, que é normal sentir raiva de algo que nos desagrade, mas que é perfeitamente possível controlar essa raiva pra que ela não cause danos a si próprio e aos outros.
Sentir inveja é mais natural do que ir ao banheiro! É inato! Não queira fugir dela. Ela sempre te alcança!
Muitos confundem, também, inveja com “puxar o tapete do outro”.
A inveja não é, necessariamente, má. Ela pode ser um incentivo se acompanhada de outros sentimentos, como o de coragem, o de esperança e o de compaixão. Aliás, compaixão é um dos sentimentos mais poderosos que possuímos. Uma vez, ao ler um livro, a autora dizia que se o leitor tivesse algum grande desafeto, que o pusesse em cima de um palco e o imaginasse como criança, um bebê! Assim que a imagem se forma, por mais difícil que seja pra alguns, a compaixão surge de uma hora pra outra. Dessa forma, percebemos que todos temos fraquezas e, no fundo, todos somos crianças à espera de cuidados e que merecemos toda a compaixão do mundo. Esse exercício mental auxilia nos processos de perdão. E, uma coisa que eu gosto muito de ressaltar é que, perdoar não é esquecer, é, simplesmente, deixar ir! Por isso, se espelhando no processo de perdão, a inveja pode vir e não devemos nos sentir sujos por sua presença. Vamos salvar a história. Vamos aliar à inveja todos aqueles bons sentimentos que TODO MUNDO possui e faremos da inveja não uma mancha de vergonha, mas uma fonte de inspiração pra nossas próprias conquistas.
Pedro sonhava com um certo cargo de um empresa do ramo imobiliário. Se dedicava, cumpria com suas responsabilidades, fazia hora-extra, enfim, era um funcionário exemplar. Porém, num dia qualquer, ao chegar na empresa, recebe a notícia que Laura, uma recém-contratada foi promovida ao cargo que tanto almejava. Por mais que Laura seja uma boa colega de trabalho, é mais do que normal que Pedro inveje seu avanço e se sinta mal. Até porque, muitas vezes nos sentimos injustiçados. Aquela velha história de que o que se esforça, nada tem, e o que não faz tanto quanto aquele que se esforça, sim! São as tais injustiças da vida. Algumas injustiças são recorríveis, já outras são, no máximo, administráveis pelo injustiçado.
Tudo bem, todo mundo sente inveja. Mas quero que ela me cegue e me faça ser alguém amargurado ou prefiro usá-la ao meu favor?
Pedro poderia se revoltar, trabalhar com menos empenho, mas se ele for esperto, vai saber que um dia sua hora chegará, simplesmente, porque ele tem potencial pra isso, mesmo que seu objetivo não tenha sido alcançado nas circunstâncias que ele esperava.
Agora podemos reconhecer a inveja sadia. Aquele impulso que nos faz avançar, fugir da estagnação, mesmo que pra isso, a princípio, nos deparemos com uma sensação de impotência e inferioridade.
Deixar velhos padrões é uma arte. Nem todos conseguirão. Somente aqueles que escolherem progredir se livrarão das amarras dos ensinamentos errados recebidos um dia na infância ou em qualquer outro momento da vida.
Por isso que a prática leva à perfeição, mas não levemos “perfeição” tão ao pé da letra. A real perfeição é a consciência de que se é imperfeito e saber viver harmoniosamente com isso, mas quer saber? Isso fica pra outro dia.

Nathalie Palácio